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Blog Antigo

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Mulher e mãe:Solteira
9 de junho de 2017


"Se você está ouvindo esta fita, você é um dos porquês...". É assim que Hannah Baker, protagonista da série 13 Reasons Why (em português, "Os 13 porquês"), da Netflix, inicia seu primeiro monólogo ao explicar as razões que a levaram ao suicídio. Hannah, espirituosa e sagaz, transforma-se, ao longo da trama, em alguém que se abandona por completo, entregue às dores e percalços da adolescência. Sem pedir ajuda de forma clara - há apenas insinuação de apelo - a menina grava sete fitas e faz com cheguem àqueles que ela responsabiliza pela situação. A série, que virou assunto nas rodas de adolescentes e chegou aos Trendings Tops, mobilizou as redes sociais ao incentivar o uso da hashtag #nãosejaumporque. O tema é de extrema relevância, tendo em vista que o suicídio é a segunda causa de mortes em jovens em todo o mundo, atrás apenas dos acidentes de trânsito (no Brasil, é a terceira causa mais frequente, atrás ainda dos homicídios).

Mais do que suicídio, "Os 13 porquês" fala da necessidade de ser ouvido. Hannah deseja não só mostrar aos seus colegas as feridas que eles lhe causaram, mas, principalmente, quer que todos ouçam o seu lado da história, "a sua verdade", segundo ela, a versão menos popular que transita pela escola. Sem conseguir expressar-se por achar que não teria credibilidade, a protagonista se vê enredada em uma série de boatos que não condizem com o que aconteceu e enxerga nas fitas cassete (uma mídia antiga e que requer total atenção durante a escuta), uma maneira para que prestem atenção ao que ela tem a dizer. É importante salientar que a decisão de tirar a própria vida é inteiramente da pessoa (não há culpados), mas é impossível sabermos o quanto podemos ampliar a dor no outro, por isso é importante ouvir.

Apesar de ter um bom relacionamento com os pais, Hannah não se sentia à vontade em conversar com eles sobre aquilo que a atormentava. Talvez por vergonha ou por medo do choque de gerações. Ela precisava de ajuda, mas ao mesmo tempo temia preocupá-los e sentia que poderia ser um peso, já que eles passavam por problemas financeiros graves. Em meio aos problemas dos outros, a menina minimizava suas dificuldades de adolescente, uma postura comum entre os que se encontram em sofrimento, que muitas vezes acham que não têm o direito de sofrer por questões que consideram pequenas, enquanto outros parecem conviver com problemas maiores.

A partir do meio da série, quando sua dor, que não compartilhava com ninguém, vai se acumulando, torna-se frequente que Hannah diga que se sente invisível e que só causa problemas aos outros. Estes são indícios de que a pessoa pode estar pensando em acabar com sua vida, avaliando se esta vale à pena. Mais do que pelo bullying que sofria, a angústia da personagem vai crescendo quanto mais ela sentia que ninguém a enxergava de verdade, não a conhecia e não estava disposto a ouvi-la. Seu maior problema talvez não fosse a perseguição dos colegas, mas a percepção de que estava sozinha em sua dor. As gravações parecem ser a forma final de Hannah quebrar a invisibilidade que a sufocava, a forma encontrada por ela para chamar a atenção de todos para o seu sofrimento, de gritar que existia.

Adolescentes têm, muitas vezes, dificuldades em expressar seus sentimentos com medo de não serem levados a sério. Com receio de terem suas dores julgadas como insignificantes, acabam se fechando. Em um último ato, Hannah procurou ajuda, buscou ser ouvida e enxergada pela última vez, mas não se sentiu verdadeiramente acolhida. Para a personagem, o pedido de ajuda foi ineficaz, mas é importante que se diga que, em mais de 90% dos casos, é possível prevenir o suicídio, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).


Com a missão de colaborar com a prevenção do suicídio, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece serviço gratuito de apoio emocional 24h, a quem deseja conversar sem julgamentos, de forma anônima e sigilosa, por meio de telefone, chat, e-mail, Skype e pessoalmente (veja como em www.cvv.org.br). Em resumo, oferece justamente a oportunidade de alguém ser ouvido com atenção e cuidado, sem sentir-se invisível.



Ana Paula e Luiza

CVV Belém (PA)

(http://cvv141.blogspot.com.br)


15 de março de 2017


"Não quero mais ter vontade de desistir. Não quero mais brigar com a vida, não quero entender nada. Vou nos lugares, vejo a opinião de todo mundo, coisas que acho deprê, outras que quero somar, mas quero as deixar pra lá. Deixar tudo lá. Não mexer em nada. É o que quero. Quero me negar a brigar. Passei uma vida sendo a irritadinha, a que queria tudo do seu jeito. “Amor só é amor se for assim.” “Comer tem que ser assim.” “Dirigir, trabalhar, dormir, respirar.” E eu seguia brigando. Querendo o mundo do meu jeito. Na minha hora. Querendo consertar a fome do mundo e o restaurante brega. Agora, não quero querer mais nada. De verdade. Não quero ver o que é feio e o que é bonito. Não quero ligar se a faca tirar uma lasca do meu dedo na hora de cortar a maça. Não quero ligar pra dor. Pro sangue. Pro desfecho do filme. Se o trânsito parou, não quero me irritar. Se o brinco foi pelo ralo, foda-se! Deixa assim. A vida é assim. Não quero brigar mais. Não quero arrumar, tentar, me vingar, não quero segunda chance, não quero ganhar, não quero vencer, não quero a última palavra, a explicação, a mudança, a luta, o jeito. Eu quero não sentir. Quero ver a vida em volta, sem sentir nada. Quero ter uma emoção paralítica. Só rir de leve e superficialmente. Do que tiver muita graça. E talvez escorrer uma lágrima para o que for insuportável. Nada pessoal. Algo tipo fantoche, alguém que enfie a mão por dentro de mim, vez ou outra, e me cause um movimento qualquer. Quero não sentir mais bosta nenhuma. Só não sou uma suicida em potencial porque ser fria me causa alguma curiosidade. O mundo me viu descabelar, agora vai me ver dormir. Eu quis tanto ser feliz. Tanto. Chegava a ser arrogante. Tanta coisa dentro do peito. Tanta vida. Tanta coisa que só afugenta a tudo e a todos. Ninguém dá conta do saco sem fundo de quem devora o mundo e ainda assim não basta. Ninguém dá conta e quer saber? Nem eu. Chega. Não quero mais ser feliz. Nem infeliz. Nem nada. Eu quis muito mandar na vida. Agora, nem chego a ser mandada por ela. Eu simplesmente me recuso a repassar a história, seja ela qual for, pela milésima vez. Deixa a vida ser como é. Desde que eu continue dormindo. Ser invisível, meu grande pavor, tem que ganhar finalmente uma grande desimportância. Quase um alívio. I don’t care." 






Adaptado do texto de Tati Bernardi.
9 de março de 2017


Viajando pela net, descobri, por acaso, esse cantor (Fábio FG) e essa música. Ela diz exatamente o que meu íntimo diz hoje. Será um cantor que vou passar a conhecer todas as músicas. Coloquei apenas trechos.


"Eu preciso da Tua mão
Pra me salvar de onde eu caí
Pois eu não confio mais em mim
meu caminho só me leva ao fim
Eu não sou capaz de me derrotar
(de matar o mal que há em mim)

Eu demorei pra achar o meu inimigo
Levei balas, tiros, eu encarei perigos
No campo de batalha, sem saber a direção
Eu me senti vencido por não ter um sentido pra ir
E ter que atirar sem conhecer quem tá na mira.
Porque a fome de viver da alma não se tira

Pra mim o mal era chifrudo e vermelho

Nunca pensei que houvesse outra força pra ter que lutar
Mas a vida fez eu ver que aquele mal era real
Mas havia mais um inimigo que eu achei no espelho
E ele era bem forte, nunca perdia
Cada movimento que eu fazia ele conhecia
Conseguiu me jogar pra onde ele queria
faria de tudo pra que eu não ouvisse mais ninguém
Tive que passar pela terrível dor
Porque a cada golpe eu mesmo apanhava e era o agressor
Eu percebi que pra ganhar eu tinha que perder
Tive que me ver no chão pra entender o que é vencer
Se não for pela Sua mão eu nem sei
Já lutei essa batalha só que hoje eu cansei
Nem que eu tivesse força e a paz de um Sensei venceria
Só eu sei o que eu passei
Porque o bem que quero fazer não faço
É forte ver a morte no caminho que eu passo
O mal que eu não quero fazer, tô viciado
Posso ir pro fim do mundo que ele vai tá do meu lado
Ou melhor, tá bem aqui dentro de mim
Cê quer ver o culpado, mano, olha pra mim
Porque eu nasci assim ser humano com defeito
eu só quero consertar essa dor aqui no meu peito
E eu só faço uma oração
Vou pegar minha esperança e lançar em Ti
Vive em mim, sonha em mim

E me pare quando eu quiser ouvir meu eu!"

Nossa, estou sem palavras! Aliás, não precisaria de mais
nenhuma palavra além dessas pra expressar o que sinto em mim. 




3 de março de 2017
    

    Hoje eu vi brilho nos seus olhos. Você ia chorar. Você sentiu vontade de chorar. Eu senti um nó na garganta, mas segurei o choro. Afinal de contas, quantas vezes você me viu chorando por você? E você diz que eu não sinto nada. E diz que não é amor. Talvez não seja mesmo, sabe? Talvez seja só o deslumbre de ser bem tratada, de saber que você se preocupa comigo. É um encantamento. E que vai passar. Estava tentando achar uma forma de acabar com isso tudo, mas não via. Estava tentando entender por que nos apaixonamos. Procurando uma forma de seguir a vida sem você e sem olhar pra trás de novo, como fiz inúmeras vezes… E confesso que as saídas que eu tinha não me animavam, não me convenciam de sumir, não fazia com que eu tirasse esse sentimento de dentro de mim. Um sentimento de posse, de urgência em estar com você, de loucura pra te ver sempre, falar com você a todo momento. O sexo era perfeito, seus conselhos me levantavam, seu carinho me prende em você, um abraço acalentador… Tudo isso em numa pessoa só. Você.
    Mas no mesmo dia, você mentiu. Mentiu de uma forma cruel, logo depois que estávamos conversando sobre mentiras em relacionamentos… Você mentiu e isso considero uma traição. É trair a confiança, quebrar um elo. Ferir sem que eu mereça. Então ficou mais fácil desistir de você, não tolero mentira.
    Estou te deixando, como sempre prometi e como você nunca conseguiu. Nós nos combinamos em tudo. Mas chegou ao fim. E como eu procurava um meio de acabar logo com isso, esse é o jeito mais facilitador.
    Você mentiu. E eu estou aqui com o coração na mão. Tô pensando em como você pode fazer isso comigo. Dessa forma.
De repente, tudo o que vivi com você, foi ao chão. De repente, toda a admiração que tinha por você, se desfez. É claro que eu poderia levar em consideração suas qualidades e relevar esse "ato falho", mas não, não dá. Sabe por quê? Porque você já sabia que eu não toleraria uma mentira, ainda mais sendo contada da forma que foi e pelo motivo que foi.
    Não vou ser mais seu segundo plano. Não vou ser mais seu meio de passar as horas. Não estarei aqui mais pra te fazer sorrir, fazendo com que seu dia fique mais leve…
    E você também não estará mais fazendo parte dos meus dias…
Às vezes, só temos que fechar a porta e engolir a chave. Deixar o tempo levar as lembranças e os sentimentos.
    E isso eu acabei de fazer. Não volte mais.
    Por favor.





25 de fevereiro de 2017
  


   Bem, moro na casa da minha mãe há um ano. Voltei pra cá por conta da faculdade, porque pagar aluguel e faculdade não dá. E também porque minha mãe fica com minha baby à noite, enquanto estou estudando. Chego tarde e tals. 


      E é sobre isso que vim falar. Sobre não morar na própria casa.
Me sinto um peixe fora d'água, sabe? Mesmo sendo na casa da minha mãe. Já saí e voltei tantas vezes, que parece que estou morando de favor na casa de estranhos. Meu irmão mais novo mora na casa também e como ele nunca saiu de casa, acho que ele mora no lugar certo, está de casamento marcado e sempre foi um bom filho. Eu não. Sempre fui a ovelhinha negra. A única a gostar de baladas, de namorar, não engolir desaforo, etc. O gênio forte e difícil. Por isso, gosto do meu canto. Ali posso ser quem eu sou. Limpo na hora que tiver que limpar, saio, volto, ligo rádio alto, faço faxina, mudo os móveis de lugar. E aqui é diferente. As coisas são do jeito da minha mãe. Se tiro do lugar e coloco num lugar que acho melhor, dali a dois minutos já voltou pro lugar de origem. Aí desisto.
     A nossa convivência não é nada fácil hoje em dia. Minha mãe parece estar ficando mais ranzinha e teimosa e eu também. Daí já dá pra saber que isso não vem com a idade e, sim, com os acontecimentos.
     Um dos nossos problemas maiores de convivência, é em relação à criação da minha filha. Eu quero uma coisa; ela outra. Eu penso de uma forma; ela de outra. E eu defendo meu ponto de vista com unhas e dentes e ela também. Isso faz com que minha filha obedeça ao que mais lhe for conveniente. E é claro que sempre é a avó que lhe agrada mais. “Criação de vó”, sempre aliviando a barra. A mãe que sempre briga muito, a mãe que impõe limites, a mãe que sempre é a mais rígida. Isso no nosso caso, né? Onde o pai é ausente ou inexistente. Porque a diferença que vejo quando a criança é criada por mãe e pai é gritante. E confesso que vejo o quanto a criação da minha filha é deficiente com essa falta. Me cansa, me sobrecarrega física e emocionalmente. Dar conta de ser mãe e mulher, com seus papéis sociais, já é muito difícil pra mim. Ser mãe e fazer papel de pai, é ainda pior.
     Enfim. A vida é feita de escolhas ou a falta delas. Tem horas que ficamos “encalacrados”, encurralados, e não temos muita escolha, a não ser fazer o que é certo. E o que é certo agora é eu tentar ser alguém profissionalmente, já que priorizei outras coisas na adolescência. São escolhas e consequências. A vida é essa.
8 de fevereiro de 2017
"Você, linda, cheia de amigas, curtindo todas as baladas: sexta à noite um happy hour depois do trabalho, sábado feijoada com samba no almoço, esticando para noite e domingo cinema. Sempre, claro, rodeada de amigas. Seu telefone não para de tocar, sua caixa de e-mail está sempre cheia de mensagens de baladas, programas, jantares, encontros. Amigas, amigas, amigas e amigos.

Quem aí já passou por tudo isso? Levanta a mão.

Certo, aí você se casa e tem um bebê. Ou, nem se casa, mas tem um bebê. Pronto, solidão! Essa cena aí de cima, que era tão comum, simplesmente não existe mais. Seu telefone não toca nunca mais, as amigas de antes desaparecem. Sim, assim, passe de mágicas, de-sa-pa-re-cem. Não há mais baladas, não há mais jantarzinhos, não há mais colo de amiga. Até aquelas, mais próximas, demoram meses para conhecer seu bebê.

Agora, seu mundo é outro. Sua realidade foi alterada. Suas noites não são mais passadas em claro dançando na balada. Agora, você baila no quarto do bebê com ele no colo. Seus almoços não são mais regados à dry martini, mas à muita mamadeira e suquinho natural. Suas noites de festa são nos buffets infantis e não mais nos bares de antes.


 Suas prioridades mudaram e agora outros pontos são importantes para você. Não, isso não é uma reclamação, apenas uma constatação. E, apesar de você se sentir a mais feliz e realizada das pessoas por ter se tornado mãe, você sente falta das suas amigas. Sim, muita falta. Sente saudade, quer colo, gostaria de falar sobre outras coisas que não assuntos maternos, quer dar uma voltinha, mesmo que seja no intervalo entre uma mamada e outra.

Eu passei por isso e, muito provavelmente, você também passou. É natural! Nossa vida muda e nem todos têm a percepção de que o que é importante para nós também possa ser compartilhado. Talvez, para aquela amiga que o importante são as baladas do fim de semana, a academia de todas as noites e o salão de cabeleireiro do sábado à tarde, não faça o menor sentido perder tempo indo à festinha de 1 ano de seu filho, no tão concorrido sabadão. O que é importante para você não faz o menor sentido para ela.

Mas, olhem gente. Isso dói, dói sim. Você se pergunta porque tanta distância, mas depois de muito sofrer eu percebo que isso é natural e faz parte da vida da gente sempre. É tudo muito cíclico. As pessoas mudam, os ciclos se renovam, novas amizades vêm e outras vão. O mundo é circular e os nossos relacionamentos também.

E, se olhar bem profundamente, pode ser que ainda tenham sobrado aquelas que - talvez nem tão perto - mas sempre estarão ali por você. Sim, existe, olhe com atenção! 

E o meu recado hoje é esse, que a gente consiga entender - apesar da dor e da saudade - que a vida é circular mesmo e que pessoas vêm e vão. Quantas novas amizades você não fez depois da maternidade? Só por estarmos aqui já é uma prova! E se olhar bem no fundinho, vai encontrar aquelas que ainda estão ali, prontas para te segurar em qualquer tropeço.

Conte pra mim suas experiências com as amizades. Elas mudaram muito? Fez novas? Compartilhe! 

Um beijo."

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Aos 34 anos, sagitariana com ascendente em capricórnio (discordo, mas fazer o quê?!), do Rio de Janeiro (com louca vontade de morar num lugar tranquilo), estudante de psicologia (mas cheia de problemas de cabeça. rsrrsrsrs), mãe e pai da pequena Bia, de 5 anos. E esse blog fala da nossa trajetória, dos meus sentimentos, minhas muitas lamentações, etc.
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